Tributo a Armando Fajardo

PDG ANTONIO DOMINGOS ANDRIANI

            Muito já se falou e escreveu que os valores do leonísmo, tanto éticos como históricos e culturais, estão em sua memória.   Na verdadeira história do nosso movimento a memória deve falar mais alto.   É ela que alimenta os princípios que se acumularam durante a existência do Lions, quando se estabeleceu regras de convívio, normas de comportamento e tudo mais aquilo que foi se sedimentando ao longo dos anos.   Quem dispensa a memória está aniquilando nossos valores. Se não cuidarmos da nossa memória, quem garantirá a preservação da nossa história?

            E quando falamos em memória não podemos olvidar a inesquecível figura daquele que trouxe o leonísmo para o Brasil: ARMANDO FAJARDO, nosso Leão n.º 1.

            Escrever sobre Armando Fajardo é falar da própria história do leonísmo brasileiro!

            Historiadores do nosso movimento têm cantado em prosa e verso a vida e a atuação de Fajardo na consolidação do leonísmo em nosso país.   Dentre esses historiadores, um destaque especial deve ser creditado ao saudoso e festejado PDG Alexandre Campos da Costa e Silva, Ex-Governador 1971/1971 do Distrito LC-1, que vive e conta Armando Fajardo em sua obra “Uma história do Leonísmo no Brasil”, secundado pela sua esposa CaL Teresa Costa e Silva, PDG 1995/1996 do mesmo Distrito. Foi de Alexandre e Teresa que recebi algumas pérolas para esta homenagem a Armando Fajardo.

            Fiquei sabendo que Fajardo nasceu no Estado do Rio de Janeiro, na cidade de Santa Maria Madalena, em 12 de outubro de 1893. Que seu pai era tabelião e seu avô fazendeiro. Que era um menino sonhador e viveu no interior até os 13 anos, onde seu maior prazer era armar arapucas para pegar inhambus e juritis, para apreciá-los em seus viveiros, mas sem jamais utilizar um estilingue. Que depois dos 13 anos aventurou-se sozinho para a cidade do Rio de Janeiro, a fim de continuar seus estudos. Que fez secundário no Internado Pedro II, onde se destacou na área esportiva. Que, depois, iniciou seus estudos na medicina mas abandonou o curso, desviando-se para a advocacia, que era seu verdadeiro objetivo. Que socorria seus companheiros de estudo e boemia em apertos financeiros, valendo-se dos recursos que lhe eram fornecidos pelo pai, ao qual fez questão de ressarcir tão logo se ajeitou no primeiro emprego, não por orgulho, mas por uma questão de princípios. Que esteve entre a vida e a morte em 1921, face a uma apendicite supurada, que o deixou de “molho” por cerca de dois anos. Que a doença atrasou seu casamento com a amada Blanche “Branca” Tavares, em 1924, e de cuja união não resultou filhos. Que entrou para o serviço público e, por reconhecida capacidade, ocupou vários cargos importantes até chegar ao Ministério da Educação, só não ocupando o cargo de Ministro por motivos pessoais. Que era detentor de vários títulos e cargos importantes, tanto no Brasil como no exterior. Que, entre todos os títulos, o que mais o orgulhava era o de “Fundados do Leonísmo no Brasil e Leão n.º1 da nossa Pátria”. Que no leonísmo ocupou nos planos distrital e internacional os mais destacados cargos: o primeiro Governador do Brasil e membro da Junta de Relações Internacionais. Que na 11.ª Convenção Nacional dos Lions Clubes do Brasil, realizada em Salvador/BA, em maio de 1964, recebeu o título de “Patrono do Leonísmo Brasileiro”. Que faleceu em 13 de junho de 1969, aos 76 anos, e foi sepultado no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

            O ingresso de Armando Fajardo no leonísmo foi grandemente influenciado pelo uruguaio Pedro Berr0, de quem era particular amigo e, coincidentemente, tinham a mesma profissão e os mesmos interesses (advogados e turfistas). Fajardo estava em Montevidéu, em dezembro de 1951 (era Diretor do Jockey Clube Brasileiro), assistindo a uma prova que levava o seu nome, numa homenagem por haver pacificado os turfistas uruguaios, ao lado Pedro Berro, quando soube da existência do Clube de Leões da capital uruguaia, cujo fundador e presidente era seu estimado amigo. Fajardo conheceu as finalidades e beleza dos propósitos da Associação de prestar serviços desinteressados e da congregação humana, sentindo, de imediato, que tudo aquilo era inerente aos sentimentos que sempre nutriu, ou seja, um Leão que era e seria. Sentiu, ainda, o desejo que o amigo Berro tinha em expandir o leonísmo para o Brasil. Foi a senha para que inúmeras reuniões, com idas e vindas, fossem realizadas entre Fajardo e inúmeros dirigentes leonísticos da América Latina. Fajardo aceitou o desafio de trazer o leonísmo para o Brasil, embora ações nesse sentido já estivessem sendo entaboladas na cidade de São Paulo. Depois de correspondências mantidas com dirigentes da Associação Internacional, Fajardo iniciou o movimento para agregar as pessoas que seriam os fundadores do Clube de Leões do Rio de Janeiro. Após grande esforço, conseguiu juntar vários amigos e pessoas influentes. No dia 16 de abril de 1952, às 12:00 horas, em concorrido almoço no Jockey Clube Brasileiro (avenida Rio Branco 137/139), no Rio de Janeiro, foi fundado o primeiro Clube de Leões do Brasil, tendo como presidente Arnaldo de Morais (Fajardo não aceitou a presidência) e um corpo associativo de 40 fundadores.

            Posteriormente, na medida em que tomava providências para a expansão do leonísmo no Brasil, Fajardo disparava medidas para organização de novos Clubes (três meses depois foi fundado o Clube de São Paulo), administração e adaptações que se fizessem necessárias, pois tudo aquilo que na ocasião era normatizado pela Associação Internacional contava apenas com literaturas em inglês e espanhol. Fajardo manifestava seu descontentamento quanto a isso, pois certas expressões não condiziam com a realidade e sentimento brasileiro. Tanto é que as expressões “Domador” e “Tuercerrabos” do Informe de Organização de Clubes, impressos em espanhol e traduzidas de “Temer” e “Tailtwister” do inglês, foram adaptadas para “Diretor Social” e “Diretor Animador”. Fajardo adaptou também a expressão “Jefe de Zona” (do inglês “Zone Chairman”) para “Presidente de Divisão”. A partir daí, modificações radicais foram sendo introduzidas. No dia 02 de julho de 1952 foi discutida a proposta para que se adotasse o nome de “Lions Clube” ao invés de “Clube de Leões”. O acróstico em uso na ocasião, que era “Liberdade, Entendimento, Organização, Nacionalidade, Esforço e Serviço” (retirado das letras que formavam a palavra LEONES em espanhol), foi substituído por “Liberdade, Inteligência, Ordem, Nacionalidade e Serviço”. O primeiro Distrito Provisório “L” Brasil foi iniciado no ano leonístico 1953/1954, tendo Fajardo como Governador. A partir de então, o leonísmo brasileiro deslanchou e transformou-se na pujança que hoje domina o território nacional.

            Fajardo era um homem rígido no cumprimento do dever e exigia que ao Lions fosse dado o respeito que merecia. Para ele, leonísmo era uma questão de honra. Aqueles que com ele conviveram atestaram a seriedade que dava ao movimento, do respeito que mantinha por determinados comportamentos e da sua franqueza, duríssima, ao combater Companheiros que a todo custo queriam fazer do leonísmo um trampolim para suas pretensões pessoais ou àqueles que, sem competência, queriam chegar aos cargos mais altos.

            A semente de tudo foi ARMANDO FAJARDO, cidadão e chefe de família exemplar, a cuja visão, entusiasmo e amor à nossa causa dedico este modesto trabalho.

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